O Hipismo no Vale

Sou apreciador e praticante de hipismo, desde os meus oito anos de idade (já passei dos sessenta alguns anos atrás).
Iniciei-me na prática deste maravilhoso esporte, no Rio de Janeiro; montei em Montevidéu, em Lima e na Europa, antes de transferir-me em definitivo para o Vale do Paraíba. Aqui chegando, fiquei surpreso e decepcionado ao constatar que a região sequer constava do mapa equestre do país. Hipismo, cavalos de trote, concurso hípico, selas inglesas, salto, adestramento e tudo mais que se relacionasse com o esporte equestre, era desconhecido e considerado atividade de elite reservada às classes previlegiadas das capitais.
Superadas a surpresa e a decepção, o sonho e a vontade de trazer para o Vale meu esporte preferido tomaram conta de mim.
Trabalhei muito, lutei, dei meus melhores esforços em prol dessa causa e com a indispensável ajuda de muitos amigos, na década de 80, pude ver o começo da escalada de sucessos de jovens cavaleiros e amazonas da região, primeiro no hipismo rural e em seguida no hipismo clássico.
Foi mais ou menos nesta época, que a diretoria da Sociedade Hípica de Guaratinguetá, convidou-me para ser instrutor de equitação do clube. Aceitei o desafio e junto com minha amiga Luciana Lordello, iniciamos a formação de uma inesquecível geração de amazonas e cavaleiros que tantas vitórias e troféus trouxeram para Guaratinguetá. Mesmo correndo o risco de esquecer algum nome, não posso deixar de citar, pela importâcia que tiveram, os de: Paulo Eduardo Credidio e seus tordilhos Fire Wind, Oficial e Petardo, Flavio Augusto da Rocha Leão, Blooming e Nero, Milena Gonçalves Santos, Sarabá, Danilo Braga Dias, Gato Prêto e Mr.Cat, Fernando Santos, Érica e Abolengo, Luiza Helena Castro (atual instrutora da Hípica) com o fantástico Coroado, Raquel e Sarah Milre, Juliana Barbosa e o pequeno mas imbatível Urahim, Rafael Barbosa Braga contando sempre com a campeoníssima Cora Coralina, Vinícius Campos, Ashley e Ana Áurea Menêzes, Lugana.
Nesta época de ouro para o hipismo valeparaibano, contávamos com o apoio de nossa entidade coordenadora, a AHVAP (Associação Hípica do Vale do Paraíba), em cujo nome competíamos nos principais concursos hípicos de São Paulo, Rio e Brasília.
No entanto, e até hoje, sem nenhuma explicação aceitável, o movimento hípico foi arrefecendo, as dificuldades aumentando, cavaleiros e amazonas abandonando o esporte, nossa AHVAP perdendo força até sua total extinção; e o Vale sobrevivendo hoje no esporte através de poucos abnegados praticantes. Triste, muito triste.
Mas eis que surge uma tênue luzinha no fim do túnel, surge na região um site que se dispõe a tentar resgatar o belo passado do nosso hipismo. Desde já, obrigado, BIKE & HORSE, conte comigo!

Jorge Raposo Lopes, instrutor de Equitação.
Titular do Centro Hípico Fazenda do Tanque em Pindamonhangaba.
Telefone: (12) 3642-2604